sábado, julho 30, 2011

Um pouco de mim

Por toda a minha existência, embora ignora-se a minha doença e mostra-se ao mundo um sorriso, no escuro do meu quarto e no silêncio da noite perguntava-me porque que EU era diferente das outras. O que é certo, é que durante esse tempo todo não encontrei respostas. Hoje em dia, tenho as respostas (assim o acho), que Deus quis que fosse assim e, apesar de tudo o que passei na vida por ser diferente, nunca culpei ninguém, nem a mim própria nem a Deus. Sempre aprendi que tudo tem uma razão de ser e, embora não saiba o porque, aceito que seja assim, mas dentro de mim há uma voz que me diz que isto não será para sempre.
Irrita-me sair à rua e ver no olhar das pessoas sentimentos como indiferença e pena. Detesto que me digam "coitadinha". Não gosto quando tenho uma camisola aberta nas costas e, ao verem a minha cicatriz me perguntei «óh menina, foi operada», quando a resposta é tão óbvia ! Certamente não a fiz porque quis, não a fiz porque gostava de ter uma. E não gosto quando me perguntam «você não anda ?», claro que ando, só uso a cadeira porque quero chamar a atenção !
Ok, sendo mais clara. Eu (e o meu irmão também), sofremos de uma doença neurológica e hereditária. Trata-se de um atrofiamento muscular, mas o SR. que a descobriu baptizou-a de Ataxia de Friedreich (Fredreich é Frederico em Alemão e é o nome do SR. que a descobriu). Esta patologia trás algumas doenças atrás, que pode ou não afectar, manifesta-se de formas diferentes, como por exemplo eu tenho tudo o que agrega a doença e o meu irmão não tem nada a não ser a atrofia. Daí eu ter uma enorme cicatriz nas costas, fui operada a 30 de Setembro de 2005 derivado a uma escoliose (por outras palavras, um desvio na coluna). 
Adiante, não é pelo facto de ser diferente das outras que sou menos ou mais. Aliás, como o meu Anjo diz, não sou diferente mas sim especial. Faço tudo o que as outras mulheres fazem, tenho tudo o que as outras mulheres têm. Tenho sentimentos como qualquer outra mulher. Apenas me desloco de forma diferente e posso demorar um pouco mais nas coisas mais comuns. Isso não faz de mim um ser indiferente. Por isso deixem de me tratar por "coitadinha" e de olhar para mim com pena !

Nos papeis que desempenho na vida:

Filha: amiga dos meus pais. Carinhosa e dedicada. Gosto muito dos pais que tenho e não imagino a ficar sem eles. 

Irmã: a minha relação com o meu irmão é como a da maioria dos irmãos. Gostamos um do outro, damos-nos bem e de vez em quando temos as nossas discussões.

Dona:  sou atenta, amiga, carinhosa. Brinco muito com ele e educo-o da melhor maneira que sei. Adoro o meu cão.

Namorada: amiga, o ombro, o porto de abrigo. Sou companheira, meiga, verdadeira, leal  e fiel. Acima de tudo, apaixonada.

Amiga: amiga do meu amigo, verdadeira, atenta, sincera e leal.

Estudante: responsável, esforçada e boa aluna. Aprendo de pressa.

Vendedora: sou leal com todos os meus clientes, por isso é que cada vez mais tenho clientes novos e vendo mais.

Mulher: sou romântica, apaixonada, aberta, frontal e sincera. Sou feminina. Vaidosa. Dedicada. Gosto de ser mulher. Gosto do que sou.

Bem, foi um bocado de mim :)


5 comentários:

  1. Faltou-te: Grande de coração. Que esse Deus de esperança e de amor seja sempre a tua força.

    abraço

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  2. Este texto fez-me crescer mais um bocadinho. Não, o facto de seres assim não te torna menos que os outros, isso é a maior verdade que as pessoas têm que conhecer. Eu também acredito que tudo acontece por um razão, mesmo quando não consigo perceber qual ela é. Temos de aceitar, tornar isso num ensinamento e seguir a vida com confiança.
    Todos nós somos diferentes, cada um tem as suas limitações, as pessoas têm de aceitar isso e saber conviver com isso.

    Tens um grande coração, dá para perceber, continua assim

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  3. É verdade M. louvo as pessoas que pensam como tu. Mas infelizmente a sociedade em que vivemos não pensa da mesma forma. Têm a mente demasiado fechada. Basta verem uma pessoa que é diferente da maioria para a descriminarem. Para mim maior doença é o preconceito e o racismo, que faz do ser humano um ser tão mesquinha e cruel.

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  4. Olá Danizitha, vim retribuir a tua visitas ao meu cantinho. Muito obrigada!
    Deparei-me com este post e fiquei a pensar em várias coisa, mas principalmente, não acho que as pessoas com limitações físicas sejam coitadinhas, para mim são mais corajosas e lutadoras porque têm que travar uma luta constante com o preconceito psicológico e físico (por exemplo, porque não há muitas condições de acessibilidade em muitos locais importantes, entre outros)da sociedade! Desculpa o desabafo.
    Um beijinho e tudo de bom :)

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